A Black Friday chegou ao calendário de vendas no Brasil em 2010, mas já impulsiona o mercado consumidor e se torna cada vez mais importante para a economia do país. Mesmo com o seu estigma de ‘tudo pela metade do dobro do preço’, ainda é possível encontrar boas ofertas e aproveitar a data para ir às compras – e os brasileiros não perdem tempo. Seja para comprar aquele presente que passam o ano todo namorando ou simplesmente aproveitar as oportunidades de preços baixos, a dica para não ser vítima das muitas fraudes virtuais do período é não deixar a emoção falar mais alto e ficar atento às armadilhas na hora de fazer compras online.

 

Compras online: riscos de golpes cibernéticos

Representando uma parcela crescente das vendas nessa data, e que certamente será ainda maior devido à pandemia, as compras online requerem uma atenção especial do consumidor – afinal, é na impulsividade que muitas vezes nos deparamos com o perigo: os recorrentes golpes cibernéticos. À medida que as lojas investem cada vez mais no comércio eletrônico, o número de sites mal-intencionados também aumenta e, com isso, o risco de fraudes virtuais. No ano de 2019, só no Brasil, ocorreram mais de 24 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos, sendo uma média de 65 milhões de tentativas ao dia! Números assustadores que evidenciam a fragilidade virtual na qual vivemos.

 

Phishing: um dos campeões quando o assunto são fraudes virtuais

Um dos tipos de golpe mais recorrente na internet é o chamado phishing, que é realizado por meio de diferentes plataformas, como o e-mail ou as redes sociais. E mesmo já conhecido, ele continua fazendo vítimas diariamente (temos um texto sobre este ciberataque, com detalhe de como as empresas podem se proteger. Para acessá-lo, clique aqui).

 

O golpe busca roubar informações do cliente, fazendo com que a vítima forneça seus dados bancários em uma compra que nunca será entregue. Ainda para enganar os usuários, os golpistas se utilizam de iscas já conhecidas dos compradores, trocando detalhes pequenos como uma letra, o induzindo a compartilhar seus dados sem muitas preocupações. Quem nunca recebeu um link te dando um brinde onde você só precisa preencher seus dados e compartilhar com 5 amigos para fazer a retirada do produto? Pois é: fique alerta!

 

Como pode acontecer?

Como o nome já diz, a proposta do phishing é tentar fisgar alguém até uma fraude virtual. O criminoso cria um e-mail, post nas redes sociais, SMS, mensagem de WhatsApp etc. convincente para fazer com que você clique em um link malicioso, faça o download de algum arquivo, repasse ou dê acesso a informações confidenciais ou até faça um pagamento.

Exemplos:

  • um e-mail muito parecido com o de uma loja (às vezes mudam apenas uma letra, como xxx@anyconsultin.com.br no lugar de xxx@anyconsulting.com.br) pedindo a confirmação de dados ou com um link que parece ser confiável, mas que te enviará para um site falso
  • uma mensagem de WhatsApp de uma pessoa que se diz ser sua amiga (muitas vezes com a foto e o nome idênticos aos de alguém conhecido), com um link também malicioso
  • uma mensagem nas redes sociais, de um perfil com toda a configuração idêntica a de uma marca, entrando em contato para solucionar um problema (que você pode ter reclamado na internet) ou com ofertas especiais para você, pedindo seus dados

 

 

Para além do phishing

Para evitar ser surpreendido por uma fatura diferente do esperado no final do mês, ou para não realizar uma compra fantasma, alguns cuidados devem ser tomados.

 

Pesquise antes de comprar

Felizmente, com o crescimento do mercado online também surgem diversas plataformas criadas exclusivamente com o intuito de checar a confiabilidade de sites de vendas. Com apenas alguns cliques, temos a reputação da loja. Esse é o caso do já popular Reclame aqui, site em que clientes insatisfeitos podem interagir com a empresa e acompanhar o que outros consumidores dizem a respeito de seus problemas com a compra. É possível ter retorno do vendedor – se ele for real e estiver preocupado com a reputação online da marca –, em busca de solucionar possíveis impasses. Também vale fazer uma consulta ao Procon, que sempre atualiza sua lista de sites não confiáveis.

 

Comportamento é chave para a segurança

Ainda mais importante do que fazer uma boa pesquisa sobre o vendedor, é seu comportamento no mundo virtual. Evite compartilhar dados pessoais como CPF, RG, números de cartões bancários ou endereços em redes sociais, por mais privadas que sejam, ou em lojas desconhecidas. Ao fazer compras online, uma boa dica é tentar utilizar um cartão virtual (verifique a existência do recurso com o seu banco), pois assim ficará fácil bloqueá-lo caso os dados do site sejam roubados.

Verifique se o site da loja possui certificado de segurança (a URL deve ser https:// e não apenas http://). Também é extremamente importante verificar se o endereço do site que está no navegador é o mesmo endereço eletrônico da loja real – e não uma pequena variação, como no exemplo do e-mail, acima. Os criminosos às vezes conseguem criar um site quase idêntico ao real, e só pessoas realmente atentas conseguem identificar a farsa.

No mais, fique sempre atento e desconfie quando a promoção tiver um valor muito abaixo do mercado, você provavelmente não deve confiar em uma passagem para Londres por R$ 5 (por mais que pareça uma oportunidade única).

 

Se mesmo seguindo todas as recomendações, você tiver caído em uma fraude virtual, é importante procurar serviços de atendimento ao consumidor, além de entrar em contato com o banco ou a operadora do cartão o mais rápido possível para reverter a compra. Procure também registrar um boletim de ocorrência, para que a polícia fique ciente das fraudes e possa evitar que mais pessoas se tornem vítimas de crimes virtuais.

Autor

Marney Muller
Marney Muller
Formado em Administração de Empresas pela UFRGS, com mais de 20 anos de experiência e atuação no ramo corporativo de Tecnologia. Possui a certificação de negócios Cisco Business Value Specialist.